Tornar-se Mãe
A maternidade muitas vezes transcende o status de “coisa que se faz” pra tornar-se “parte de quem somos”.
E chega como um tsunami, nos rouba de nós mesmas no primeiro trimestre lentamente – bem len-ta-men-te, voltamos a ser mar de ondas cada vez mais ritmadas.
É importante, necessário e saudável alimentarmos o “ser”, além da maternidade mas é inútil tentar separa-se totalmente dessa função.
A não ser, claro , que optemos por ser negligentes, mas não estamos dialogando com essa possibilidade, não é mesmo?
Demorei 36 semanas e 6 dias para gerar e parir o meu filho. Mas precisei de 3 anos para me gerar e parir enquanto mulher mãe.
Pra que essa forma de existir desenrole-se da forma mais saudável possível, é preciso alem de dedicação um tanto de coragem.
Coragem para lidar e se colocar diante de seu próprio julgamento e dos outros adultes, coragem para despir-se da pele na mãe “nata”- aquela que sabe tudo, que tem controle sobre tudo, – despir-se da fantasia da mulher maravilha e abraçar com honestidade a mulher maravilhosa que se é – a que erra, que cai, levante, chora e ri.
Porque a gente ri também, mas ainda temos que treinar o rir de si mesma… e esse exercício nos tira um peso enorme dos ombros, no livra de uma boa quantidade de culpa.
Quando damos aquele berro porque estamos com sono ou fome, quando fazemos aquela merda sem sentido – que a ficha só cai segundos depois – é a hora de sorrir e se abraçar, olhar e se dizer “é… se me percebo, é porque tô aprendendo.”
Com sorte, aprenderemos sempre 🙂
Porque o processo de desenvolvimento humano é coisa que não se acaba, concorda? 🙂
Vivian Faria

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