Porque eu NÃO quero que meu filho me obedeça (Parte 1)

O assunto é delicado, principalmente porque não nos ocupamos unicamente de educar nossas crianças: a vida nos traz inúmeras demandas e para “dar conta” minimamente, precisamos sim ser ouvidas.

Dito isso, podemos partir para outra perspectiva diante da mesma questão. Esse ponto de vista é visitado sempre durante as oficinas que facilito com mães, pais e professores e, invariavelmente, chegamos a conclusão semelhante: os desafios de comportamento podem ser “controlados”, com intervenções de resultado imediato OU podem ser um campo fértil para o trabalho de educar a longo prazo.

Portanto eu te peço agora que você faça um breve exercício: visualize três situações onde o comportamento da sua criança te desafia. Será que esses momentos podem ser um campo para desenvolver a inteligência ou habilidades socioemocionais?

Como assim?

Vamos pensar juntos: como você deseja que seu filho se relacione com seus deveres e escolhas no futuro?

  • Você quer que ele obedeça cegamente a tudo que os outros mandarem?
    Ou que questione e saiba o que é adequado ou não pra ele?
  • Você quer que ele tenha sempre que pedir opinião / orientação para os outros?
    Ou que saiba reconhecer suas necessidades e ouvir sua voz interior, e assim fazer escolhas respeitando a si mesmo e aos outros?
  • Você quer que ele precise de alguém dizendo o que tem que ser feito o tempo todo?
    Ou que ele desenvolva um olhar curioso e uma postura de quem busca soluções de forma proativa?
  • Você quer que ele faça porque é obediente a você?
    Ou porque sabe que suas ações são importantes no meio em que vive e que quando colabora, a vida fica melhor pra ele e pro seu entorno?

Será que a obediência cega imediata vai ajudar a desenvolver nossas crianças como adultos responsáveis e empáticos a longo prazo?

Será que ter controle sobre a criança agora a ajuda a desenvolver habilidades de vida para o futuro?

O que essa mensagem te diz? Como ressoa aí dentro? Vou ficar feliz em saber.

(No próximo texto, vou trazer algumas possibilidades para exercitarmos essas habilidades…vem comigo 🙂

Comments

  1. Debora

    Nunca tinha olhado por esse ponto de vista, bem provocativo. Vou pensar mais sobre isso.

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