Obediência x Colaboração (Porque eu não quero que meu filho me obedeça – Parte 2)
Agora que podemos nos aproximar da perspectiva de que os comportamentos desafiadores são exatamente as oportunidades que temos diariamente para proporcionar às nossas crianças o desenvolvimento das habilidades de vida que desejamos que elas adquiram para o futuro, fica a pergunta:
– Mas como fazer?
Como provocar esse olhar questionador e empático?
Como praticar a autorresponsabilidade e o cuidado, por si e pelo outro?
Como trabalhar o limite: colocar, observar e respeitar?
Claro que, de acordo com a idade e o contexto, as abordagens serão diferentes; mas tem uma ferramenta que é simples e muito eficiente para começarmos, e se chama : escolhas limitadas”.
Exercitar a habilidade de escolha envolve tantos processos internos que é sim vasto campo para integração e aprendizagem.
Por exemplo:
- Vejo que sua amiga ficou curiosa sobre o seu boneco, você gostaria de compartilhar?
- Escute o seu corpo, sua barriguinha está cheia ou você gostaria de mais comida?
- Vejo que você ficou chateado, quer conversar agora ou gostaria de se acalmar de outra forma?
- Está frio lá fora, qual sua ideia para se proteger? Gostaria de pegar o moletom ou a jaqueta?
- Notei que sua mochila ficou no carro, qual seu plano para que ela passe a noite em um lugar adequado?
- O jantar está quase pronto! Hora de pôr os brinquedos pra dormir, qual sua ideia pra isso?
- Você quer pegar as peças menores ou maiores?
Aqui eu pensei em exemplos de situações cotidianas envolvendo crianças entre 4 e 7 anos de idade, mas, como disse, de acordo com a situação e idade a gente adapta.
Quanto mais cedo começarmos melhor (inclusive pra nós mesmas, pois teremos também mais tempo para treinamento) mas, lembre-se: nunca é tarde para nos transformarmos e a nossa forma de nos relacionarmos com nossas crianças.
Lembrando que, nessa mudança, nós também passamos pelo processo de observação e adaptação: requer treino (árduo) para interromper a reação automática de dar ordens ou fazer pelas crianças o que elas podem fazer/escolher por si mesmas.
Desejo sinceramente que você dedique a si mesma um tempo e paciência para praticar esse novo olhar. É normal darmos um passo à frente e dois pra trás e, tudo bem.
Celebre sempre sua coragem de se transformar para proporcionar o desenvolvimento das habilidades de vida que você deseja para suas crianças.
Com algum tempo de prática consistente, você perceberá que sua criança não te obedece mas colabora, porque ela sabe o quão importante é para os processos e o quão pertencente e necessária para os grupos dos quais ela faz parte.

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